Os marchadores não têm competições em 2020, mas Ana Cabecinha não desarma...

 

Ana Cabecinha, recordista nacional dos 20 km marcha continua a sua preparação, embora já não tenha qualquer tipo de objetivo à vista, pois tanto Jogos Olímpicos (adiados para 2021) como os Mundiais de Seleções de Marcha Atlética (adiado desde maio, ainda sem data prevista) deixaram de ser opção e os Europeus de Paris 2020 (ainda sem decisão final) não têm provas de marcha. A sua última prova foi em março, nos Campeonatos de Portugal de Pista Coberta, onde obteve o seu nono título consecutivo…

 

A atleta do Clube Oriental de Pechão é uma das atletas portuguesas com maior palmarés internacional, com três classificações de finalista nos 20 km marcha em três edições dos Jogos Olímpicos (6ª em 2016, 7ª em 2012 e 8ª em 2018), em quatro Campeonatos do Mundo (4ª em 2015, 5ª em 2011, 6ª em 2017 e 7ª em 2013) e em três Campeonatos da Europa (6ª em 2014, 7ª em 2010 e 8ª em 2018), sendo a recordista nacional de 10000 m, 20 km, meia-hora e 3000 m (p. cob.).

 

A treinar em “casa”, no Algarve, tendo participado também na campanha de vídeos de treino em casa que foram correndo nas redes sociais, a internacional portuguesa afirma manter “as minhas rotinas de treino e horários que tinha antes da pandemia. Com todo o cuidado que nos pedem, mas com menos quilómetros e muitos mais treinos em casa. Faço o treino na passadeira e na bicicleta estática, faço os outros treinos na rua, em zona mais isolada, e muitos treinos de força”, afirmou a atleta.

 

 

Uma das questões que a preocupa prende-se com o apoio técnico e de meios complementares do treino. 

 

“Tenho estado com o meu treinador [Paulo Murta] uma vez por semana e temos estado todos dias em contacto, mas de facto, a ausência de treino em ginásio e pista faz-nos muita falta, apesar de termos conseguido improvisar com outros meios em nossa casa”, referiu Ana Cabecinha, que se mostra preocupada com uma situação que nunca tinha enfrentado, a ausência de competições, pois “o facto de estar a treinar sem competições à vista, já está a deixar uma grande repercussão na nossa vida diária como atleta, pois não sabemos quando iremos competir e no próximo ano que provas vamos ter, já que este ano, até dezembro, mesmo que haja provas, as marcas não serão válidas para a qualificação para os Jogos Olímpicos”.

 

Como se referiu anteriormente, a ausência de provas de marcha nos Europeus de Paris (ainda com realização em causa), o adiamento do campeonato do mundo de seleções em marcha atlética e o adiamento para 2021 dos Jogos Olímpicos de Tóquio, faz com que os marchadores não tenham quaisquer competições internacionais em 2020.

 

“Uma situação injusta. Na minha opinião, havendo o Campeonato da Europa este ano em Paris, fazia todo o sentido haver as provas de marcha, pois os Jogos serão em 2021, o mundial em 2022 e os Europeus também em 2022. Esta é uma situação especial, pois nós também precisamos competir lá fora, temos os mesmos direitos que os atletas das outras disciplinas”, afirmou a atleta, que, no entanto, não deixou de referir que “apesar de ter adiado por mais um ano o sonho de Tóquio 2020, para cumprir o objetivo de estar nos meus quartos Jogos Olímpicos, considero que foi a melhor decisão que o Comité Olímpico Internacional podia ter tomado. Agora temos é que nos juntar por um bem maior que é a nossa saúde e de todos os que nos rodeiam”, concluiu antes de mais uma unidade de treino.

 

Texto: António Fernandes / FPA (com o técnico nacional de marcha, Carlos Carmino)

Foto: Erik van Leeuwen / FPA (Doha 2019) e do facebook de Ana Cabecinha

 


 

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