Recordistas de Portugal dos 50 km marcha, João Vieira e Inês Henriques, não desarmam. Ela correu de Rio Maior a Fátima no dia do aniversário

 

Por António Fernandes / FPA, com apoio de Carlos Carmino

Fotos Erik Van Leeuwen / FPA

 

O setor da marcha atlética é um dos que nos últimos anos produziu excelentes resultados internacionais, conquistando medalhas de ouro e prata em campeonatos mundiais e europeus para Portugal.

Na linha da frente estão dois “quarentões”: João Vieira, com 44 anos, e Inês Henriques, com 40 anos. 

 

O atleta do Sporting Clube de Portugal, nascido em Portimão, mas radicado há muito em Rio Maior, conquistou a medalha de prata na inédita prova noturna de 50 km marcha, em Doha, no ano passado, nos Campeonatos Mundiais. Tinha então 43 anos, tornando-se o mais velho medalhado da história da competição na distância.

 

Com 45 internacionalizações, entre as quais quatro Jogos Olímpicos, 11 Mundiais e 6 Europeus, João Vieira é o atual recordista nacional de marcha atlética nas distâncias de 10 km (estrada e pista), 20 km (estrada e pista) e dos 50 km (estrada) e soma 55 títulos de campeão de Portugal, em pista, pista coberta e estrada.

 

Com o seu principal objetivo – Jogos Olímpicos – adiado por um ano, sem outras competições de marcha internacionais (nem mesmo o Challenge da World Athletics), João Vieira não é dos que viram a cara à luta, nem tem baixado os braços.

 

«Neste tempo de pandemia tenho-me limitado a treinar uma vez por dia no circuito habitual de treino, mas num percurso mais limitado de 2 km, para ficar mais isolado num treino de baixa intensidade, e o segundo treino diário é feito com o material que tenho em casa», refere o atleta que é orientado tecnicamente pela esposa, também ela marchadora, Vera Santos, que tem providenciado todo o seu saber ao atleta, que conta “com esse apoio da minha treinadora em todos os treinos, mas estou restrito ao que se refere a apoio de instalações desportivas e de meios de recuperação, especialmente fisioterapia e massagem”.

 

Sobre que tipo de repercussões terá todo este tempo prolongado sem competir, pragmático, João Vieira afirma que “é difícil tirar conclusões das repercussões imediatas. Terá mesmo de esperar-se pela próxima época para tirarmos conclusões”, refere o atleta que entende o adiamento e cancelamento das competições internacionais. 

 

“O setor de marcha teve as principais competições internacionais canceladas e adiadas devido à pandemia. Neste momento está em primeiro lugar a saúde e segurança de toda população. Só depois de nos sentirmos aliviados desta pandemia é que podemos pensar em competições em segurança para a nossa saúde”, concluiu o atleta.

 

Inês Henriques: corrida até Fátima no aniversário

 

Inês Henriques, campeã mundial em 2017 e europeia em 2018 na distância de 50 km, também tem estado muito ativa nesta fase, empenhando-se um pouco mais na corrida e, recentemente, no dia do seu 40º aniversário, foi de Rio Maior a Fátima (mais de 52 km, em 4h22m), em corrida, como forma de se desafiar a si própria. 

Para conseguir este feito a atleta do Clube de Natação de Rio Maior tem cumprido disciplinadamente unidades de treino adaptadas à situação de pandemia pela qual todos passamos.

 

“Neste momento estou a treinar uma vez por dia, mais quilómetros de corrida. Para realizar os treinos específicos de marcha uso o circuito habitual, já os treinos de corrida faço na mata próximo da minha casa. Quanto aos exercícios de reforço realizo-os em minha casa, com o material que tenho”, refere a atleta. A ribatejana salienta que o apoio técnico e de meios complementares é agora mais restrito, “veja-se, o meu treinador [Jorge Miguel] só está comigo duas vezes por semana e de resto não tenho mais nenhum apoio”.

 

A campeão mundial (2017) e europeia (2018) de 50 km marcha, ex-recordista mundial da distância, recordista portuguesa na distância, 15 vezes campeã de Portugal e somando 43 internacionalizações, entre as quais três presenças em Jogos Olímpicos, nove mundiais e cinco europeus, mostra-se cautelosa sobre as repercussões que uma época sem competir podem trazer para o seu futuro. “Temos de aguardar pelo tempo próprio para ver as repercussões em termos físicos, psicológicos e financeiros”, refere, salientando ainda que “se a situação melhorar e tivermos condições para treinarmos e os restantes apoios fundamentais para o treino”, caso ainda exista alguma competição este ano, isso “seria benéfico. Se não acontecer será mais desgaste psicológico”, concluiu a atleta.  

 

Categoria: