Portugal mantém-se na elite do atletismo europeu

FPA Geral Notícias

25 Jun, 2023
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Era a jornada decisiva e, apesar de alguns contratempos, Portugal conseguiu manter-se na elite europeia do atletismo terminando na oitava posição do Campeonato da Europa de Equipas, que integrava os Jogos Europeus, realizados em Cracóvia – Malopolska, na Polónia.

O melhor da tarde chegou no final do lançamento do dardo, quando Leandro Ramos reapareceu no momento certo e ficou em terceiro lugar, com a sua melhor marca do ano, de novo acima de 80 metros (81,62 metros).

“Finalmente consegui soltar -me. Tenho estado um bocado preso e as coisas não saíam bem. Hoje já me senti melhor e nos últimos lançamentos a preocupação era com a técnica. Estou contente por ter chegado num momento alto”, afirmou, lançando ainda que agora é apontar para o resto da época.

Excelente prova de Laura Taborda nos 3000 m obstáculos, com um quinto lugar, em 9.55,56 minutos, uma das melhores pontuações portuguesas nesta tarde decisiva.

“Como o primeiro quilómetro foi lento eu senti-me bem e ajudou no resto da corrida, embora eu estivesse com medo de arriscar, pois podia não aguentar o ritmo”, afirmou a atleta que fez uma passagem menos boa na vala e isso deixou as da frente mais isoladas. “Não arrisquei colar-me a elas, e fui mantendo a minha posição. No final, antes do último obstáculo só pensava em dar tudo e quando a alemã caiu eu saí determinada”, refere a estudante nos Estados Unidos, muito contente com a sua prestação na prova.

Ao mesmo tempo decorria o lançamento do peso masculino, com Francisco Belo a terminar na oitava posição, com a marca de 19,64 metros. Um centímetro menos que o francês Moudani-Likibi, concorrentes diretos na luta pelo top-8.

O salto em comprimento feminino tornou-se o “tendão de Aquiles” da seleção, uma vez que Evelise Veiga foi baixa de última hora, devido a lesão, e teve de ser a barreirista Catarina Queirós a saltar, algo que a atleta não fazia há algum tempo e para a qual nem tinha sapatos próprios, competindo com calçado emprestado. A portuguesa, com o apoio da equipa lançou-se ao desafio, terminando com a marca de 5,53 metros, e dois saltos nulos.

Abriu bem Portugal com o lançamento do dardo feminino, com Cláudia Ferreira a conseguir um recorde pessoal de 55,49 metros. Não satisfeita, ultrapassado o primeiro embate, Cláudia ainda conseguiu melhorar, para 55,82 metros, terminando em sexto lugar, derrotando várias das principais opositoras de Portugal.

“Senti um pouco o calor e no aquecimento parei de lançar. Mas depois do primeiro lançamento consegui estar bem mais descontraída. Nos outros lançamentos não consegui melhorar, até ao quarto, porque estava sempre a tentar algo diferente”, afirmou a atleta, feliz pelo resultado alcançado. “Mais que o recorde pessoal, que me deixa muito satisfeita, é claro, era importante dar o máximo de pontos a Portugal e eu até nem estava muito bem cotada no início. Foi excelente estar ali entre as melhores”, concluiu.

Nas duas corridas de 200 metros, boa prestação de Arialis Gandulla Martinez, que foi quinta na série principal, com a marca de 23,12 segundos (vento: +1,2 m/s), sendo 6ª na geral, fechando assim a sua participação por Portugal, onde esteve em três provas. Razões para a portuguesa estar satisfeita.

Já Delvis Santos, na mesma prova, terminou em quarto lugar na série B (11º no conjunto das duas), com a marca de 21,18 segundos (-1,4 m/s), a sua melhor marca da temporada, também ele satisfeito com a sua prestação.

“Satisfeito”, esteve também Gerson Baldé, que foi segundo no grupo B do salto em altura, com a marca de 2,17 metros, o que o deixou no sétimo lugar no conjunto dos dois grupos, que foi dominado pelo italiano Gianmarco Tamberi.

Ainda no salto em altura, mas feminino, Anabela Neto mostrou toda a sua fibra, conseguindo uma melhor marca do ano a um centímetro do seu melhor ao ar livre (1,85 m), tendo ela um recorde pessoal de 1,86 m, em pista coberta. A portuguesa ainda tentou saltar 1,87 m, mas como tinha colecionado três falhas antes (uma 1,65, duas a 1,80), já não podia prosseguir. No conjunto das duas séries, a portuguesa terminou na oitava posição.

“Isto é sinal de que ainda não estou acabada. É pena está regra das quatro falhas porque estava a sentir-me bem depois de passar 1,84 à primeira”, afirmou no final.

A corrida de 1 500 metros tornou-se ingrata para Marta Pen. Fechada no pelotão, a portuguesa não conseguiu sair no momento oportuno e terminou em sétimo lugar, com a marca de 4.13,50 minutos.

No final confirmou estar “desapontada. Costumo ser mais agressiva ao início e depois pago caro. Hoje acabei cheia de força, mas estava mal posicionada no momento da decisão.

Nos 5000 metros, Ruben Amaral começou muito cedo a ficar fora da corrida e terminou no 16º lugar de uma corrida em que o sueco Almgren impôs um ritmo forte, para ser ultrapassado na última volta pelo recém espanhol Thierry Ndikumwenayo. Ruben Amaral, que sentiu dores no peito, conseguiu resistir e fechou em 16º lugar com marca de 14.48,70 minutos.

Na última prova do programa, a estafeta mista terminou em quinto lugar na série principal (sétima na geral), com a marca de 3.14,06 minutos, novo recorde de Portugal, por mais de cinco segundos. No final da prova, o quarteto português, composto por João Coelho, Cátia Azevedo, Ricardo dos Santos e Fatumata Diallo, estava visivelmente satisfeito por ter alcançado este recorde, “especialmente porque marca uma boa performance para os World Rankings” tendo em vista os mundiais e também o acesso aos jogos olímpicos.

No final da competição, Portugal conseguiu fechar na primeira metade da classificação no oitavo lugar, garantindo substancialmente a manutenção na primeira divisão deste Campeonato da Europa de Equipas.

Para Fernando Tavares, o “team leader”, o objetivo de Portugal era “a manutenção (desciam três das 16 equipas). Claro que, depois, a melhor classificação possível seria sempre um acréscimo. Estamos contentes pois, apesar dos contratempos conseguimos está classificação. Destaque-se os recordes de Portugal, nos 400 metros planos, por João Coelho, nas estafetas de 4×100 m e mista de 4×400 metros, e ainda os recordes nacionais de sub-23, na vara, por Pedro Buaró, e sub-20, nos 110 m barreiras, por Sissínio Ambriz”, afirmou, acrescentando ainda que “muitos atletas atingiram as suas melhores marcas do ano, o que ajudou bastante a esta classificação.

“No que concerne aos Jogos Europeus, competição conjunto, destacamos as três medalhas alcançadas, o ouro no lançamento do peso feminino, por Auriol Dongmo, e as pratas de João Coelho, nos 400 metros, e Isaac Nader, nos 1 500 metros”, reforçou Fernando Tavares, realçando ainda “que o atletismo português voltou a cumprir”, ficando em 10º lugar no medalheiro, que integrou os resultados das três divisões.

Na classificação final, a Itália conseguiu triunfar com um total de 426,5 pontos, deixando os vencedores das duas últimas edições, a Polónia, no segundo lugar, com 402,5 pontos e a Alemanha completou o pódio com 387,5 pontos. Depois, classificaram-se a Espanha (352), Grã-Bretanha (341), Países Baixos (339.5), França (337,5) e Portugal fechou o top-8 (anterior Superliga) com 315 pontos.

Os resultados oficiais da competição estão na página da European Athletics.

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