Os Campeonatos Nacionais Sub-18 em Pista Curta regressam a Braga este fim-de-semana, prometendo um espetáculo de talento e competitividade. Daniela Ferreira, Técnica Nacional do setor juvenil da Federação Portuguesa de Atletismo, destaca o balanço “claramente positivo” da época indoor e a expectativa de novos recordes. “Cada prova é mais do que um resultado: é a oportunidade de mostrarem o trabalho que têm vindo a construir, a disciplina que vos acompanha diariamente e a paixão que vos trouxe até aqui”, afirma, dirigindo-se aos jovens atletas que pisarão a pista do Fórum Braga.
Com a pista coberta de Braga a preparar-se para receber os melhores atletas jovens do país nos dias 7 e 8 de fevereiro, a antevisão é de um evento vibrante. A competição, organizada pela Federação Portuguesa de Atletismo com o apoio da Associação de Atletismo de Braga, reunirá talentos apurados através de marcas mínimas, prometendo um elevado nível competitivo e disputas acesas pelos títulos nacionais e melhoramento de marcas. As declarações de Daniela Ferreira sublinham a importância deste momento para o atletismo jovem português, que tem demonstrado uma evolução notável.

Uma época indoor promissora e níveis de competitividade elevados
Daniela Ferreira faz um balanço muito positivo da época indoor no escalão Sub-18, evidenciando o dinamismo e a qualidade dos jovens atletas. “Apenas no mês de janeiro foram já alcançadas seis marcas de qualificação para o Campeonato da Europa, um indicador de que muitos atletas iniciaram a época num nível competitivo muito elevado”, revela a Técnica Nacional. Este dado, por si só, já aponta para a qualidade da geração atual, que se espera que continue a surpreender nos Nacionais.
No ano transato, 14 jovens já haviam atingido desempenhos ao nível europeu, o que, segundo Daniela Ferreira, “demonstra que não estamos apenas perante talentos isolados, mas sim uma geração com profundidade, qualidade e potencial para competir num nível superior”. A expectativa é, portanto, de “uns Campeonatos Nacionais muito competitivos, com vários atletas capazes de lutar pelos primeiros lugares, superar recordes pessoais e, em alguns casos, aproximar-se ou mesmo ultrapassar marcas de referência internacional”.
O crescimento sustentado do atletismo jovem português
A evolução positiva do atletismo jovem em Portugal é visível através de vários indicadores. O aumento do número de participações nos Campeonatos Nacionais Sub-18 é um dos sinais mais claros, complementado pela reativação dos Estágios Nacionais de Sub-18. “Esta dinâmica tem também criado condições mais favoráveis ao desenvolvimento técnico e competitivo dos jovens, permitindo ainda que os melhores atletas treinem em conjunto, potenciando a sua evolução”, explica Daniela Ferreira.
O papel dos treinadores é igualmente crucial neste processo. A sua dedicação e disponibilidade para aprender e evoluir são fatores determinantes para o crescimento sustentado desta geração. A Federação, através destas iniciativas, procura garantir um acompanhamento mais próximo e consistente, essencial para o futuro do atletismo nacional.

Recordes e rivalidades: o que esperar em Braga
Os Campeonatos Nacionais Sub-18 em Pista Curta prometem ser palco de muita emoção, com a possibilidade de superação de recordes e duelos vibrantes: “Temos várias provas que prometem marcar esta edição dos Campeonatos, sobretudo pela enorme proximidade entre os resultados dos principais atletas”, antecipa. Esta competitividade é um convite a assistir a confrontos intensos pelo pódio.
Além dos recordes dos campeonatos que podem ser batidos, as perspetivas em torno de possíveis recordes nacionais são “igualmente animadoras”. A edição anterior já havia sido marcada por prestações de alto nível, com melhorias significativas de marcas nacionais, como os 60 metros de Paulo Albieri (6,99s), os 800 metros de Mariana Moreira (2.11,73) ou até a dupla marca de Afonso Gomes nos 1500 e 3000 metros (4.02,76 e 8.31,90, respetivamente). Estes fatores contribuem para elevar a expectativa em torno desta edição, que poderá revelar novos protagonistas e consolidar talentos.
A importância formativa dos Campeonatos Nacionais
Para Daniela Ferreira, estes campeonatos são uma etapa fundamental no percurso de formação dos atletas. “Devem ser entendidos como uma etapa dentro de um percurso mais longo, e não como um ponto de chegada”, salienta. Funcionam como um momento crucial de avaliação, aprendizagem e exposição a contextos competitivos mais exigentes, preparando os atletas para desafios futuros.
Estes eventos desempenham um papel vital na deteção de talento e na transição para escalões superiores. “Permitem observar os atletas em contextos competitivos exigentes, onde a proximidade de resultados, as rivalidades saudáveis e a possibilidade de alcançar resultados de referência os levam, muitas vezes, a sair da sua zona de conforto e a reforçar a sua ambição”, explica. A identificação de jovens com maior potencial e maturidade competitiva é um dos objetivos, garantindo que o desenvolvimento ocorre de forma progressiva e sustentável.

Desafios e o futuro do atletismo infantojuvenil
No que diz respeito aos desafios, Daniela Ferreira aponta a necessidade de ajustar o calendário competitivo para evitar a sobrecarga de competições nos escalões jovens. “Este equilíbrio é particularmente importante porque os atletas sub-18 podem competir também em competições de sub-20 e em competições de clubes, o que aumenta significativamente a oferta competitiva”, refere a Técnica. A gestão desta realidade, alinhada com os princípios da formação desportiva, é um dos principais focos da Federação.
Para os atletas, treinadores e clubes, Daniela Ferreira deixa uma mensagem de confiança e reconhecimento. Aos atletas, a importância de “entrarem em pista com coragem, desfrutarem do momento e honrarem o percurso que já fizeram”. Aos treinadores e clubes, o agradecimento pelo “empenho diário, muitas vezes silencioso”, que é a base para a evolução destes jovens. “Que estes Campeonatos sejam um reflexo do esforço coletivo de todos”, conclui.