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Portuguesas não resistiram ao calor

Notícias TÓQUIO 2020

6 Ago, 2021
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Terminou a participação portuguesa nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 na final da maratona feminina. Prova com historial português, em que Rosa Mota conseguiu um título (1988) e uma medalha de bronze (1984), mas que não produziu resultados de relevo para as três atletas portuguesas presentes.

Salomé Rocha foi a melhor das portuguesas ao terminar em 30º lugar com a marca de 2:34.52 horas. Apesar da experiência e da preparação, Salomé não se adaptou ao calor.

“Saio satisfeita e ao mesmo tempo insatisfeita. Queremos sempre mais, o melhor resultado possível. Treinamos diariamente para nos superarmos. Mas satisfeita por terminar mais um campeonato. Melhor não consegui fazer. Dei o meu máximo, tentei gerir. Comecei a sentir bastantes cãibras aos 28 quilómetros. Tentei abstrair-me e gerir para terminar. Satisfeita e insatisfeita, como digo”, explicou Salomé Rocha, em declarações à agência Lusa.

Cerca de 21 minutos depois chegou a sua colega de treino Sara Catarina Ribeiro, que cortou a meta em 2:55.01, na sua maratona mais lenta de sempre.

“Acabei mesmo exausta, completamente esgotada, dei tudo. Tive inclusivamente de ser assistida pelo departamento médico da prova”, disse a atleta à agência Lusa, referindo que chegou a ser ponderado o adiamento da sua viagem de regresso a Tóquio.
“Parti confiante e cautelosa pois sabia que as condições iriam agravar-se com o decorrer da competição. Mantive o ritmo constante até perto do quilómetro 30. Depois foi sempre a sofrer, o cansaço era muito, o calor e humidade insuportáveis”, explicou.

A portuguesa Sara Moreira abandonou a prova depois dos 21 quilómetros.
A portuguesa desmaiou, depois de ter recebido assistência médica ainda no recinto, em Sapporo. “Eu não sei o que aconteceu. Lembro-me de ter passado a meia maratona, porque por volta dos 18 quilómetros parei para ir à casa de banho, mas, depois, comecei a correr e caí para o lado, não me lembro de nada”, disse a atleta à agência Lusa.
Na zona mista, Sara Moreira seguia amparada por um elemento do ‘staff’ nacional, depois de ter deixado o percurso de cadeira de rodas, inanimada, segundo constatou a Lusa no local, num momento em que se registavam 30 graus Celsius.
“Agora estou bem, na medida do possível. Sei que passei os 21 quilómetros, mas não sei quando caí”, desabafou a maratonista, de 35 anos, que, nessa altura, seguia no 75.º lugar, a 03.27 minutos do grupo de 12 atletas que liderava a prova.

Quanto ao pódio, recolhemos ligações a Portugal. O triunfo pertenceu à queniana Peres Jepchirchir, em 2:27.20 horas. A atleta, que bateu já três recordes mundiais de maratona, tendo dois títulos mundiais no palmarés, venceu a meia maratona de Lisboa (de outubro) em 2017 e na prova de hoje, várias vezes, abrandava o ritmo para os abastecimentos, recolhendo os dela e os de Brigid Kosgei, 2:27.26, recordista mundial de maratona, que viria a sagrar-se vice-campeã olímpica, e que se estreou em 2015 com um triunfo na maratona do Porto. Ambas protagonizaram um momento histórico, sendo a primeira vez que o Quénia fez um primeiro e um segundo lugar em Jogos Olímpicos. A surpresa veio da terceira classificada, a norte-americana Molly Seidel, de 27 anos, que fez a sua terceira maratona: venceu, surpreendentemente, a maratona de qualificação olímpica nos Estados Unidos, em 2020, e foi sexta na maratona de Londres de 2020 (só para a elite).

Fotos Comité Olímpico de Portugal / Agência Lusa

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