No dia 1 de abril de 1999, João Marques iniciou uma jornada que se estende há 27 anos na Federação Portuguesa de Atletismo. Hoje, celebramos a sua carreira, um percurso que tem sido marcado pela paixão, resiliência e um trabalho incansável nos bastidores, fundamental para o sucesso da modalidade em Portugal.
Nascido em Lisboa e criado na Falagueira, Amadora, João Marques, de 56 anos, é uma figura discreta, mas de importância inquestionável na FPA. A sua história é um testemunho de dedicação, começando como atleta fundista e meio-fundista, e evoluindo para um papel crucial na estrutura federativa. A sua entrada na FPA, há 27 anos, preencheu uma vaga para cuidar das frotas, mas rapidamente o seu empenho o levou a assumir responsabilidades crescentes, tornando-se hoje o técnico de equipamentos, além de também desempenhar funções na contabilidade.
O seu percurso, embora muitas vezes invisível ao grande público, é um pilar para o funcionamento da federação. João Marques não tem vergonha do seu passado e das suas origens humildes, que moldaram o seu caráter e a sua ética de trabalho. A sua paixão pelo atletismo, que começou quase por brincadeira, transformou-se numa vocação que o acompanha até hoje, revivendo momentos e reencontrando antigos colegas e adversários nas competições.
Uma vida dedicada ao atletismo: do atleta ao técnico
Antes de se tornar uma peça fundamental na FPA, João Marques teve uma carreira notável como atleta. Embora nunca tivesse sido profissional, o seu currículo é invejável, com destaque para o título de campeão nacional de Maratona em 2005, na Maratona de Lisboa, e diversas vitórias em corridas clássicas como os 20km Almeirim e os 20km Cascais. Correu por clubes como o SFRAA, GS Loures, e o prestigiado GDR Conforlimpa, onde fez parte de equipas tituladas nacional e internacionalmente. A sua resistência, que
dava ’10-0′ a muitos, foi a sua grande arma.
Mesmo após terminar a carreira de atleta há 13 anos, devido a uma lesão no joelho, João Marques manteve-se ligado à modalidade, tornando-se Diretor Desportivo no GDR Reboleira e juiz regional de atletismo na AA Lisboa, enquanto já exercia funções na FPA. A sua experiência como atleta e o conhecimento profundo do desporto são inestimáveis para a sua função atual na FPA, onde a sua dedicação vai além das tarefas, estendendo-se ao apoio e aconselhamento dos atletas mais jovens, por gosto.
O pilar invisível da federação
Na FPA, João Marques é muito mais do que um técnico de equipamentos. É um colaborador do departamento de contabilidade, a mascote durante as provas e uma figura central no quadro competitivo nacional.
É um trabalho que gosto muito e que me dá prazer – gosto muito de conviver com os atletas e estar nas competições” – a sua visão que reflete uma paixão genuína e o seu perfil para a função que desempenha. Gosta de estar com os atletas, de ajudar os estagiários e os recém-chegados, partilhando a sua vasta experiência e conhecimento.
Embora seja uma pessoa tímida, que prefere os bastidores e não gosta de dar entrevistas, a sua presença é sentida em todos os cantos da federação. Detentor das chaves de todas as portas, simboliza o acesso e a operacionalidade, garantindo que tudo funciona sem problemas. A sua discrição não diminui a sua importância; pelo contrário, realça o valor de um trabalho feito com dedicação e sem buscar os holofotes.
Um percurso de superação e orgulho
A vida de João Marques é uma história de superação. Vindo de uma família humilde, o dinheiro que ganhava no atletismo foi um incentivo para lutar por melhores resultados – quanto mais alto terminava na classificação, maior era o prémio.
O orgulho nas suas origens é evidente, e a sua maior fã, a mãe, sempre o apoiou. A perda do pai aos 23 anos foi um grande desgosto, mas a sua memória e o apoio familiar foram pilares na sua jornada. Apesar dos complexos de infância e adolescência devido à situação financeira, encontrou no desporto um “cantinho” onde se refugiava e a sua força, sem nunca ter tido acompanhamento psicológico – algo que admite ter precisado.
Um dos grandes desgostos foi não ter conseguido entrar no exército, ficando alistado na reserva territorial e impossibilitando o objetivo de ingressar na GNR. No entanto, a sua paixão pelo atletismo e o seu trabalho na FPA ajudaram a preencher essa lacuna, permitindo-lhe continuar ligado ao desporto que tanto ama. A sua história é um exemplo de como a dedicação e o amor pelo que se faz podem construir uma carreira de 27 anos, essencial para o funcionamento de uma instituição como a Federação Portuguesa de Atletismo.
O legado de um campeão nos bastidores
João Marques é um elo entre gerações de atletas, tendo corrido com muitas glórias do atletismo português, como Luís Jesus, Manuel Matias, José Ramos, Alcídio Costa, Alfredo Brás, António Antunes e Paulo Guerra. O seu treinador, António Nobre, foi uma figura marcante, ajudando-o a ser mais exigente e a moldar o seu pensamento. O atual presidente da FPA, Domingos Castro, chegou a ser seu adversário em provas, o que demonstra a profundidade das suas ligações no mundo do atletismo.
O seu legado não se mede apenas pelos títulos conquistados como atleta, mas também pela sua contribuição diária para a FPA. João Marques representa a parte invisível, mas vital, da federação, garantindo que os atletas tenham os equipamentos necessários e que a logística funcione sem falhas.
A sua paixão em dar dicas e conselhos aos mais jovens, e o prazer em conviver com os atletas, são a prova de que o seu impacto vai muito além das suas funções oficiais, inspirando e apoiando as futuras gerações do atletismo português.





