Presidente da Federação Portuguesa de Atletismo participou no Portugal Football Summit, num painel dedicado à internacionalização do desporto português, onde abordou as condições proporcionadas aos atletas, a importância dos parceiros institucionais e os desafios que persistem ao nível das infraestruturas.
O presidente da Federação Portuguesa de Atletismo, Domingos Castro, foi esta sexta-feira, dia 25 de setembro, um dos participantes no painel “A Internacionalização do Desporto Português”, dedicado ao tema da governação, integrado no Portugal Football Summit, que decorre na Cidade do Futebol, em Oeiras.
Ao lado de Daniel Monteiro, da Confederação do Desporto de Portugal, de Miguel Viterbo Dias, observador, e Fernando Pimenta, medalhado olímpico, Domingos Castro partilhou a sua perspetiva sobre o caminho que tem sido desenvolvido pelo desporto português e, em particular, pelo atletismo, destacando a importância de criar condições para que os atletas possam preparar-se e competir ao mais alto nível.
Com experiência enquanto atleta de alto rendimento, o presidente da FPA considera que esse percurso lhe permite conhecer de forma particularmente próxima as exigências colocadas aos atletas. «Fui atleta de alto rendimento e logo à partida, sei aquilo que os atletas precisam: superar todas as dificuldades, superar as dificuldades do dia a dia.»
Para Domingos Castro, porém, o conhecimento das necessidades dos atletas tem de ser acompanhado pela capacidade de criar as condições materiais e financeiras que permitam responder a essas exigências. «Nós não conseguimos fazer nada se não estivermos financeiramente bem para proporcionar essas condições.»
Neste contexto, o presidente da FPA reconheceu o papel que tem sido desempenhado pelo Estado no apoio ao atletismo, permitindo à Federação reforçar as condições de preparação dos seus atletas e das seleções nacionais. «Hoje o Governo tem dado bons apoios à nossa modalidade, à nossa Federação e, com tudo isso, temos proporcionado excelentes condições aos nossos atletas.»
Entre essas condições estão os estágios internacionais, que permitem aos atletas portugueses preparar grandes competições em contextos adequados às exigências do alto rendimento. «Hoje os nossos atletas fazem estágios fora do país durante meses, o que é fundamental para o rendimento deles.» A preparação internacional assume, assim, uma importância significativa na estratégia de alto rendimento, num contexto em que a procura pelas melhores condições de treino implica, muitas vezes, longos períodos fora de Portugal.
O papel dos municípios
Outro dos aspetos destacados por Domingos Castro foi a importância das autarquias, que considerou parceiros fundamentais para o desenvolvimento do atletismo e para a concretização das condições necessárias à preparação e realização de competições. «Era impossível a Federação andar como está a andar, ter o sucesso que está a ter, se não fosse o apoio das câmaras municipais, que é muito, muito grande.»
A relação com os municípios assume particular relevância perante um dos desafios estruturais identificados pelo presidente da FPA: a necessidade de Portugal dispor de mais infraestruturas adequadas à preparação dos seus atletas. Domingos Castro chamou, em particular, a atenção para a inexistência de uma arena de pista curta no país, uma realidade que obriga os atletas portugueses a procurar no estrangeiro condições para a preparação durante a época de inverno. «Nós temos campeões olímpicos, campeões do mundo, ao mais alto nível, e Portugal não tem uma arena de pista curta. É um problema sério.»
O responsável federativo abordou ainda a situação criada pelos danos provocados na infraestrutura de Pombal, na sequência do mau tempo, que afetaram a pista existente naquela cidade. Neste contexto, destacou a colaboração estabelecida com a Federação Espanhola de Atletismo, que permitirá à FPA receber uma pista, estando igualmente em análise uma solução que permita criar condições para a sua instalação e utilização. «Felizmente, pela amizade que tenho com o presidente da Federação Espanhola, foi doada uma pista à Federação, que brevemente chegará a Portugal.»
A solução permitirá reforçar a capacidade de resposta do atletismo nacional, numa área em que, segundo Domingos Castro, as opções disponíveis são atualmente muito limitadas. «Neste momento temos Braga e não temos mais nada. Por isso temos muita dificuldade.»
Um compromisso com o atletismo
Na intervenção no Portugal Football Summit, Domingos Castro falou também do seu próprio compromisso enquanto dirigente federativo, sublinhando o trabalho desenvolvido diariamente em prol da modalidade. «Sou uma pessoa que trabalho muito, muitas horas, faço milhares de quilómetros todos os meses, estou sempre à procura de mais para a minha modalidade.»
Um trabalho que, segundo o presidente da FPA, tem uma motivação essencialmente ligada à responsabilidade de devolver ao atletismo parte daquilo que a modalidade lhe proporcionou enquanto atleta. «Sobretudo, o que me move é retribuir à minha modalidade tudo o que ela me deu. Sinto uma obrigação e um dever de dar o máximo de mim a esta modalidade, a estes novos talentos, a estes campeões que nós temos.»
Domingos Castro terminou a sua intervenção reafirmando a ambição de continuar a elevar o nível do atletismo português, numa modalidade que, sublinhou, tem uma forte tradição de resultados no panorama internacional. «A nossa modalidade é uma modalidade que tem muito êxito. É a modalidade rainha dos Jogos Olímpicos e, por isso, nós queremos sempre mais e mais.»