Ao lado de Luís Abegão, Rui Loução foi um dos dois árbitros portugueses presentes nos Campeonatos da Europa de Birmingham. No coração dos concursos, dos saltos com vara às finais de peso, testemunhou de perto algumas das provas mais emocionantes da competição — e as medalhas portuguesas que ficaram para a história.
Natural de Setúbal e filiado na Associação de Atletismo de Setúbal, Rui Loução, de 52 anos – feitos em solo britânico -, chegou à arbitragem em 1994, logo após a sua última época como atleta. Mais de três décadas depois, o percurso continua a somar grandes campeonatos, tendo os Europeus de Birmingham representado mais um marco de uma carreira internacional consolidada.
Um caminho que começou como atleta
A ligação de Rui Loução ao atletismo não nasceu na arbitragem. Foi como atleta que deu os primeiros passos na modalidade, e foi apenas quando essa fase da sua carreira chegou ao fim, em 1994, que decidiu passar para o outro lado das provas, tirando nesse mesmo ano o curso de juíz. Desde então, o percurso na arbitragem tem sido uma constante ao longo de mais de três décadas. A confirmação de que estava a construir um currículo internacional sólido chegou em 2014 pela European Athletics – na Taça da Europa de Provas Combinadas -, e, mais tarde, com a primeira nomeação pela World Athletics em 2018: os Jogos Olímpicos da Juventude, em Buenos Aires. Foi o ponto de partida de um caminho que o levaria, nos anos seguintes, a alguns dos maiores palcos do atletismo mundial.
Experiência que atravessa continentes
Birmingham foi o segundo Europeu ao ar livre de Rui Loução, depois de Munique, em 2022. A lista de grandes competições não fica, porém, por aqui: o árbitro esteve também presente num Campeonato do Mundo ao ar livre, em Budapeste, e em três Mundiais de pista curta — Belgrado, Glasgow e Nanjing.
Ao longo destes anos, teve ainda o privilégio de arbitrar momentos que ficarão na história do atletismo. “Já estive como árbitro de partidas em alguns recordes mundiais de pista curta e em algumas provas de concursos com grandes marcas”, recorda.
A nomeação para Birmingham
Sobre o momento em que soube da convocatória para os Europeus, Rui Loução explica que as nomeações da European Athletics costumam ser conhecidas no último trimestre do ano anterior. “Temos sempre a expetativa de ser nomeados para os grandes campeonatos, mas também sabemos que os lugares são poucos e raramente é nomeado mais de um árbitro por país”, refere.
O árbitro sublinha ainda o nível da arbitragem portuguesa como um fator que torna as nomeações imprevisíveis: “No caso da arbitragem portuguesa, onde a qualidade e experiência dos nossos internacionais é muito elevada e reconhecida pela European Athletics e pela World Athletics, umas vezes são nomeados uns, outras vezes são outros.”
Em Birmingham, desempenhou funções como Árbitro de Concursos, integrando uma equipa que contou ainda com o colega português Luís Abegão e mais três colegas de outras nacionalidades.
Nos concursos, do salto com vara ao lançamento do peso
Como árbitro de concursos, Rui Loução acabou por passar por praticamente todas as disciplinas técnicas do programa. Esteve nas cinco sessões de salto com vara, nas três de salto em altura masculino, em três provas de lançamento do peso e em duas de salto em comprimento, além de ter auxiliado noutros concursos e em provas de pista.
Entre os momentos altos, destacam-se as duas finais de salto com vara e a final de salto em altura masculino, bem como a final do lançamento do peso feminino — prova que, para o árbitro português, teve um significado especial. “A final do lançamento do peso feminino, com três portuguesas, foi o melhor resultado português que acompanhei por dentro”, conta.
Duelos e conquistas vistas de perto
Questionado sobre o momento mais mediático das provas que acompanhou, Rui Loução não hesita em apontar para o salto com vara, uma das disciplinas onde esteve mais envolvido ao longo do campeonato. “As duas finais de salto com vara foram bastante táticas, emocionantes e disputadas a alturas de recordes dos campeonatos”, recorda, sublinhando a exigência técnica e a tensão que acompanham este tipo de disputas, decididas muitas vezes nos detalhes e até ao limite da barra.
Apesar de estar concentrado nos seus concursos, Rui Loução conseguiu ainda testemunhar parte da festa portuguesa em Birmingham. “Tive a oportunidade de assistir a final feminina dos 400m barreiras da bancada, da Fatoumata Diallo, mas as outras duas medalhas portuguesas apenas apanhei pelo canto do olho, entre uma prova e outra”, partilha, recordando os momentos de conquista da Seleção Nacional que marcaram o campeonato.
Um campeonato “tranquilo”, com juízes experientes
Sobre o desenrolar geral da competição do ponto de vista da arbitragem, Rui Loução faz um balanço positivo. “Foi tranquilo, sem erros de arbitragem que não pudessem ser corrigidos”, afirma, destacando o papel da experiência coletiva dos oficiais internacionais. “Os juízes nacionais são muito experientes e rotinados nos procedimentos das grandes competições e isso acaba por tornar o desenrolar da competição mais fácil.”
Para fechar, Rui Loução deixou uma apreciação sobre a prestação da delegação portuguesa em Birmingham. “Considero que foi uma boa prestação, demonstrada acima de tudo pelas medalhas obtidas, o número de finalistas e os recordes nacionais atingidos”, conclui.
Fotos: FPA/Tatiana Gonçalves



